Seu problema não é procrastinar, é evitar.
Mas antes de explicar mais a fundo, há três coisas que você precisa entender.
Elas se chamam luta, fuga e congelamento.
Essas três são as respostas do seu Sistema Nervoso Autônomo (SNA) para qualquer coisa percebida como possível ameaça.
Pense no SNA como uma espécie de centro de controle do corpo.
Ele regula a frequência cardíaca, a frequência respiratória, entre outras coisas.
É crucial entender como ele funciona para descobrir por que procrastinamos.
A procrastinação, em sua essência, é não fazer algo que você sabe que deveria.
Agora, se eu simplesmente te perguntar: “Por que você procrastina?”, você pode dizer:
“É que às vezes eu sou preguiçoso” ou “Eu sei lá…”.
A questão é que isso parece meio ilógico, não é?
Você sabe que há algo a ser feito.
Sabe que isso vai te ajudar no futuro.
E ainda assim, por algum motivo, você não consegue se forçar a fazer isso.
Só de pensar na tarefa você já fica inquieto.
Felizmente, essa inquietação acaba sendo a resposta que precisamos.
Esse sentimento não surge do nada.
É resultado de como você interpreta a tarefa em questão.
Pegando emprestado da teoria do Flow de Mihály Csíkszentmihályi, é isso que acontece:
A teoria do Flow basicamente afirma o seguinte:
Qualquer coisa julgada como um desafio muito grande para suas habilidades atuais vai causar estresse e ansiedade.
Estresse, ansiedade e medo são respostas primitivas.
São o que os caçadores-coletores sentiam ao encarar um predador.
E é exatamente nessa hora que o SNA entrava em ação com uma das três reações:
Luta, fuga ou congelamento.
O predador é lento e/ou fraco? Lutar.
O predador é rápido e/ou forte? Fugir.
O predador na verdade cercou você com mais quatro? Congelar.
Agora, use o exemplo acima, mas troque a palavra ‘predador’ por ‘tarefa’.
A tarefa é fácil/rápida de ser feita? Você encara (luta).
É muito difícil/leva muito tempo para ser feita? Você deixa pra depois (fuga).
A tarefa na verdade é um monte de coisas muito difíceis juntas? Você nem toca nela (congela).
O último é o motivo pelo qual você procrastina o estudo.
Aprender algo novo tende a ser empolgante no começo.
Mas aí, você começa a perceber o quanto não sabe.
E quanto mais você explora, mais consciente se torna de sua ignorância.
Parece que vai levar uma eternidade para compreender todos os conceitos diferentes.
Palavras que você nunca viu antes.
Regras que você nunca ouviu falar.
Coisas que simplesmente são como são sem um motivo aparente.
Tudo isso parece ser simplesmente… muita coisa.
É aí que você tem a resposta de congelamento.
Não tem a ver com preguiça ou QI.
Você procrastina o estudo porque parece ser um desafio muito grande.
Mas aí vem o pulo gato: parece ser assim.
Não é à toa que o SNA responde desse jeito à possíveis ameaças.
Agora óbvio, quando se trata de um predador real, é sim uma ameaça.
Porém, quando se trata de executar alguma tarefa, é uma percepção.
A boa notícia é que você pode mudar essa percepção.
E aqui vai como fazer isso de verdade:
1. Movimento físico adequado (atenção extra ao ‘adequado’).
Seja caminhar, correr, malhar, dançar, escalar, ou qualquer outra coisa.
Desde que seja um movimento físico suficientemente desafiador, funciona.
‘Suficientemente desafiador’ significa nem muito difícil, nem muito fácil.
Movimento físico libera adrenalina, serotonina e dopamina.
O que esses três aumentam: motivação, humor e sensação de competência.
O que eles diminuem: estresse, ansiedade e percepção da dor.
O melhor de tudo? É totalmente grátis.
Lembra: focar no corpo conserta a mente.
2. Movimento mental adequado.
Isso significa começar a tarefa de alguma forma.
Não importa o quão pequeno ou sem importância possa parecer.
Só precisa ter movimento.
A razão disso? Impulso.
Um primeiro passo cria o impulso para o segundo.
De pouco em pouco, você começa a ter um efeito composto.
Agora, sua mente sente que realmente consegue executar a tarefa.
Um senso maior de controle começa a surgir.
Mas aqui vai a chave para isso: começar pequeno.
Sem expectativas nem pressão.
Só mostre a si mesmo que você consegue fazer algo.
Uma vez que começar, vai ficar cada vez mais fácil.
Então, daqui para frente, esse vai ser seu plano de ação:
Se sentindo estressado/ansioso/preocupado com uma tarefa?
Vá se movimentar da maneira que puder.
Esteja completamente presente nisso o tempo todo.
Uma vez que os neurotransmissores bons entrarem em ação, comece a tarefa.
Só vá e deixe o seu cérebro (agora com um boost) resolver o resto.
No fim das contas, tudo se resume a isso:
“Faça o que você puder, com o que você tiver, onde estiver.” Squire Bill Widener, Autobiografia de Theodore Roosevelt, capítulo IX
Faça disso um hábito, um dia de cada vez, e a sua vida vai mudar.
Prometo.
Leitura recomendada:
Sobre a resposta de luta, fuga ou congelamento – https://centroclinicomaededeus.com.br/estresse-o-que-devemos-saber/
Sobre a teoria do Flow – https://fia.com.br/blog/flow-o-que-e-para-que-serve-e-tecnicas/
Sobre como exercícios reduzem o estresse e a ansiedade – https://www.unimedcampinas.com.br/blog/saude-emocional/ansiedade-e-atividade-fisica-entenda-a-relacao/