12/07/2025

Eu ensino idiomas há 10 anos. Aqui está tudo que eu aprendi.

1 newsletter, 10 anos de aprendizado. É só aplicar.


1. Não foca na tradução, foca na função.

Nem tudo dá pra traduzir literalmente.

E nem precisa.

Em vez de pensar “qual é a tradução disso?”, se pergunta:

Como um nativo falaria isso na situação X?

Exemplo: “Necas de pitibiribas”.

Não existe literalmente em inglês.

Mas a função dela (zero, nada, nem um pouco) pode ser passada com:

Zilch, Diddly-squat, ou Jack shit (mais vulgar).

Já a expressão baiana “barril dobrado” pode ser:

A mess, a disaster, ou no lado positivo, dope, fire, next level.

As ferramentas que eu recomendo pra achar equivalentes com a mesma função:

  • ChatGPT e Reverso Context

2. Gramática não se consome, se consulta.

Aula de gramática é igual bula de remédio.

Você não lê inteira de uma vez.

Você consulta quando precisa.

Esquece maratonar vídeos de tempo verbal.

Você aprende a usar tudo isso vendo na prática.

O que fazer:

  • Lê e ouve coisas reais (vídeos, podcasts, rádio, música) no idioma.
  • Quando surgir uma dúvida, pesquisa na hora.
  • Tenta usar.
  • Erra, corrige, repete.

3. Idioma não é matéria, é habilidade.

Matéria você estuda pra tirar nota.

Habilidade você treina pra poder usar.

Você não aprendeu a andar lendo sobre equilíbrio.

Também não aprendeu a nadar lendo sobre mergulho.

Você tentou, falhou, ajustou, tentou de novo.

Com idioma é a mesmíssima coisa.

O que fazer:

  • Tenha momentos de prática ativa (escrever, falar, repetir) TODOS os dias.
  • Não espere se sentir “pronto” pra tentar, só tenta e corrige no meio do caminho.
  • Aprenda fazendo.

4. Fluência é hábito.

Não é talento.

Nem dom.

Nem QI.

É repetição.

Você aprendeu português porque ficou exposto a ele todos os dias por ANOS.

Fluência vem de fazer o idioma virar parte do seu dia.

Considerando isso, faça o seguinte:

  • Ouça podcasts enquanto caminha.
  • Anote vocabulário importante.
  • Repita frases em voz alta.
  • Use o idioma em mensagens com IA ou pessoas em apps como HelloTalk ou Tandem.
  • E faça disso uma rotina diária.

5. Uma boa fala não começa na boca, começa no ouvido.

Essa é uma frase do livro “How To Learn a Foreign Language” (Como Aprender um Idioma Estrangeiro), de Paul Pimsleur.

Você só fala bem português porque ouviu muito.

Assim, seu ouvido criou um catálogo de sons do idioma.

E foi por esse catálogo que você começou a repetir.

Com outro idioma, o processo é o mesmo.

O que fazer:

  • Escolha uma série, filme ou canal do YouTube no idioma.
  • Repita as falas que te chamarem a atenção em voz alta.
  • Isole os sons difíceis e repita-os mais vezes.
  • Se grave falando e compare.

Quanto mais você ouve e imita, melhor fala.


6. Flashcard funciona, mas não é obrigatório.

Flashcard é só uma forma de repetição espaçada.

Caso você não saiba, repetição espaçada é um jeito de estudar com intervalos cada vez maiores para quebrar a curva natural de esquecimento do cérebro.

Mas não é a única.

Você não usou flashcard pra aprender português, né?

E sabe por que?

Porque quando se faz uma imersão no idioma, essa repetição acontece naturalmente.

Então, aqui vai o que fazer:

  • Se curte flashcard, use o Anki.
  • Se não curte, foque em rever conteúdos naturalmente.
  • Releia seus textos antigos.
  • Escute episódios de podcasts de novo.
  • Revise com leveza, não com obrigação.

7. Quem ri de você tentando falar outro idioma te faz um favor.

É sério.

Se alguém ri porque você tá tentando crescer, essa pessoa é uma idiota.

Ela tá te fazendo o favor de revelar a você que não vai te apoiar na sua jornada de crescimento.

Ou seja, está te mostrando que não merece estar na sua vida.

O que fazer:

  • Continue mesmo com medo de julgamento.
  • Fale com IA primeiro pra ganhar confiança.
  • Em casos mais extremos, corte o contato com essa pessoa.

8. Não é o gringo que fala rápido. É todo mundo.

Português também é rápido, mas tem uma diferença:

Você já tem o “catálogo de sons” do português, então consegue entender sem problemas.

Em outro idioma, esse catálogo ainda não tá pronto.

Mas como criá-lo na outra língua?

Simples: fazendo exatamente o que você fez pra criá-lo em português.

O que fazer:

  • Escute diálogos reais todos os dias.
  • Foque em reconhecer padrões sonoros que se repetem muito.
  • Pratique entender sem legenda.
  • Acima de tudo, seja paciente. O ouvido se adapta, mas não do dia pra noite!

9. Cursinho tradicional não quer te ver fluente.

Muita gente ainda acredita que fazer curso é igual resultado.

Mas o que vale de verdade é o que você faz fora da aula.

Cursos seguem currículos fixos.

O objetivo principal é vender o livro didático e a mensalidade, não te ver fluente realmente.

O que fazer:

  • Crie o seu próprio “currículo” considerando o que é mais relevante pra sua vida agora.
  • Foque em aprender a aprender.
  • Gaste mais tempo com o idioma vivo do que com atividades “de livro”.

10. Ninguém vai vir te salvar.

Não existe guru que vai colocar o idioma na sua cabeça.

É VOCÊ!

Todos os métodos do mundo não funcionam se VOCÊ não agir.

O cérebro aprende o que você repete com atenção e intenção.

Então faça o seguinte:

  • Crie um plano simples: ouvir, repetir, revisar e usar.
  • Pare de esperar o momento perfeito.
  • Comece mesmo bagunçado.
  • Melhore enquanto faz.

E, antes de terminar, um último recado:

Depois de ler isso aqui, vai fazer alguma coisa no idioma!

Nem que seja 5 minutos.

Coloca um podcast.

Tenta escrever uma frase nova.

Treina a pronúncia de uma palavra.

O que você faz hoje vira fluência amanhã.

Confia.

Vai fundo, meu amigo.

Quem é Jonatha Koeller?

Sou um poliglota autodidata fluente em 6 idiomas e já a caminho dos próximos. Há 9 anos ajudo pessoas a desbloquear sua capacidade natural de aprender línguas e alcançar a fluência no idioma desejado em questão de meses.

Já trabalhei como mentor de idiomas em empresas como Sony Music, Vale, Globo, Accenture, Scrumlaunch, ajudando desde funcionários da base até CEOs.

Não sei o que você vai achar mais surpreendente: eu ter feito isso tudo, ou ser careca aos 26. De qualquer forma, você pode ser a próxima pessoa que vou ajudar a se tornar fluente, desbloqueando sua capacidade natural de aprender línguas.

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