21/09/24

O livro que me fez ser poliglota. (Fim da série de 5 partes)

Faça o que ele diz e você vai aprender o idioma que quiser.

E há muitas boas razões para eu afirmar isso com tanta certeza.

Eu acabei encontrando esse livro quando comecei a ter progresso na minha aprendizagem do francês.

Por causa dele, entendi por que eu acabei aprendendo inglês “sem querer” quando criança e por que finalmente estava progredindo em francês.

Digo ‘finalmente’ porque já tinha tentado uma vez antes, e foi um desastre.

Tenha em mente que fiz tudo o que me disseram para fazer.

Vi aulas de francês no YouTube. Revisei conjugações verbais. Usei aplicativos todos os dias (Duolingo e Memrise, por exemplo). Fiz tudo isso. Nada mudou.

Ainda não conseguia entender falantes nativos, as músicas que ouvia, os livros que tentava ler… por aí vai.

Tudo fez sentido quando encontrei essa fala do linguista francês Pierre Delattre no livro “How to Learn a Foreign Language”, de Paul Pimsleur, que diz:

“Parece que o erro básico nos métodos de ensino de idiomas é um de ordem. Colocamos a carroça na frente dos bois. Usamos o olho antes de usar o ouvido; começamos a escrever antes de começarmos a falar; ensinamos a ler antes de ensinar a pronunciar; estudamos as regras antes de estudarmos os exemplos; concentramos na quantidade antes de concentrarmos na qualidade. Em tudo isso, nosso erro é que vamos contra os fatos da linguagem. Uma língua é antes de tudo ‘fala’—um sistema de sons transmitidos diretamente da boca para o ouvido e produzidos por reações automáticas dos órgãos da fala. O funcionamento dessas reações automáticas depende dos hábitos linguísticos do falante, e é a aquisição desses hábitos que deve vir primeiro.”

Na mosca.

A razão pela qual minha primeira tentativa foi um fracasso absoluto está perfeitamente descrita nessas palavras.

E não só a minha tentativa, mas a de muitas pessoas também.

Vamos entender por quê.

“Usamos o olho antes de usar o ouvido.”

Pensa bem:

Na escola e em cursos de idiomas, você geralmente segue um livro didático, estuda com listas de vocabulário, eventualmente faz exercícios de gramática, etc.

Em tudo isso, você usa seu olho antes do seu ouvido.

Qual é o problema disso?

Não é assim que você aprendeu sua língua.

Novamente, pensa bem:

Qual foi a primeira coisa que você fez com sua língua?

Você a ouviu.

Você não entendia, é claro, mas você a ouviu.

O motivo pelo qual isso é tão importante é que, como a linguagem é fala, você precisa se acostumar com o ritmo, tom, volume, movimentos e posicionamentos da língua, movimentos dos lábios, etc.

Embora você não note de imediato, quanto mais você ouve a língua ao seu redor, mais rápido seus ouvidos criam uma espécie de catálogo de sons, combinações de sons e sotaques daquela língua.

Quanto maior esse catálogo se torna, mais você consegue entender a língua quando a ouve.

Não só não nos ensinam isso, como também temos que lidar com o foco nas regras e gramática que existe até hoje.

Agora, evidentemente, se você não sabe como usar corretamente as regras e a gramática de uma língua, vai cometer muitos erros.

O problema aqui está em COMEÇAR a aprender uma língua focando na gramática.

Para usar uma analogia, pense em uma criança que quer aprender a jogar futebol.

Se ela tentar aprender futebol da mesma maneira que nos ensinam a aprender idiomas, vai ler livros teóricos sobre as regras, quais táticas devem ser usadas, como se deve jogar, etc.

Ela vai juntar todas essas informações, mas nunca vai ter tocado numa bola com os pés nem ido ao campo.

Essa é a situação em que milhões que querem aprender línguas se encontram agora.

Eles lembram os nomes dos tempos verbais, convenções gramaticais, regras específicas sobre conjugação e escrita, mas não conseguem usar a língua.

Eles têm a teoria, mas não a prática.

E esse foi o caminho que eu segui.

Mas aí percebi como o Delattre descreveu o que deve vir primeiro ao aprender uma língua.

Deixe eu te lembrar:

Uma língua é antes de tudo ‘fala’—um sistema de sons transmitidos diretamente da boca para o ouvido e produzidos por reações automáticas dos órgãos da fala. O funcionamento dessas reações automáticas depende dos hábitos linguísticos do falante, e é a aquisição desses hábitos que deve vir primeiro.”

Para simplificar, é isso que você deve PRIORIZAR SEMPRE ao aprender qualquer língua:

A aquisição do hábito de reações automáticas.

Anota, imprime, tira um print, faz uma tatuagem disso, faz o que puder para não se esquecer.

Essa frase é a chave para aprender idiomas, e vou te contar por quê com um cenário.

Imagina que um estranho chega em você na rua e pergunta:

“Scusate, che ore sono, per cortesia?”

Se você nunca estudou italiano, provavelmente vai dizer: “Desculpa, é o que?”

Mas se você fala italiano, só vai falar a hora.

Essa interação rápida teria ocorrido perfeitamente se tivesse sido em português.

E não, não é só porque você fala português e não italiano (obviamente).

É porque você já viu, ouviu, leu e escreveu aquelas mesmas palavras (desculpa, que horas são, por favor?) no mesmo contexto MILHARES de vezes, o que significa que seu cérebro já está programado para reconhecê-las e usá-las em milissegundos.

Isso é, na prática, o que o Delattre chamou de “hábito de reação automática”.

Você teve que ver e usar isso tanto que se tornou automático.

E adivinha o que fez meu progresso em francês disparar em 3-4 meses?

Tentar formar frases por conta própria e ver se estavam corretas no Google Tradutor/ChatGPT, imitar falantes nativos quando os ouvia num vídeo do YouTube ou podcast, aprender a cantar as músicas que gostava exatamente como os cantores e fazer chamadas de vídeo com amigos que fiz nos aplicativos Hellotalk e Tandem.

E estamos falando de 2020 aqui, então zero possibilidade de sair, encontrar amigos, tentar conhecer estrangeiros, etc.

Mas veja bem, todas as coisas que mencionei acima treinaram meu cérebro, ouvidos e boca para desenvolver o hábito de reações automáticas em francês.

E isso só aconteceu porque me rodeei tanto da língua que era impossível não vê-la e usá-la repetidamente.

Isso fez com que eu desenvolvesse esses hábitos de reações automáticas muito mais rápido.

Eu genuinamente poderia continuar falando desse livro e explicando cada detalhe que faz dele uma leitura transformadora.

Conselhos como “aprenda gramática pelo ouvido”, “aprender um idioma estrangeiro é como encher um balde de uma torneira de fluxo lento”, “gramática é melhor aprendida usando-a, não falando sobre ela”, entre outros, são verdadeiras pérolas que vão ficar com você para sempre se realmente entender a utilidade delas.

Não posso falar mais sobre esse livro porque, se falasse, acabaria escrevendo outro livro dentro dessa newsletter só para explicar o quão bom ele é.

Porém, antes de te deixar ir estudar, há uma última coisa que preciso compartilhar com você.

De todos os conselhos desse livro, esse talvez seja o mais poderoso.

Aqui vai:

“Deixe o ‘propósito vivo’ pelo qual você se propôs a aprender a língua ser seu guia sobre como aprendê-la.”

Se você se inscreveu nessa newsletter, suponho que seja porque, entre outras razões, quer aprender outro idioma.

Agora, aqui vai minha pergunta para você:

Por que?

Tipo, genuinamente, por que?

É para uma possível promoção no trabalho?

Ou talvez uma viagem que se aproxima?

Um interesse amoroso?

Não sei, mas o que eu sei é o seguinte:

“Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como” Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos

Enquanto seu porquê estiver sempre em sua mente, você vai seguir em frente.

Perceba que eu disse seu porquê.

Não o que outro te disse.

O que você sente aí dentro.

Se você alinhar isso com o que esse livro diz para fazer, você tem a garantia de ter sucesso na língua que quiser.

Essa é uma promessa.

Então leia, aplique, e viva isso.

Sua vida irá mudar sem dúvida.

Segue em frente, meu amigo.

PS: essa é a última newsletter da série de 5 partes que fiz sobre livros que mudaram minha vida. Eu acredito fortemente que líderes são leitores, então sigo lendo constantemente para manter minha mente fresca e ter algo útil para compartilhar com meus alunos, seguidores e amigos. Eu gostaria de ouvir sua opinião sobre essa série de 5 partes. Teve uma newsletter específica que foi mais útil para você? Tem alguma crítica construtiva para me dar? Gostaria de outra série no futuro falando sobre livros que me impactaram muito? Por favor, compartilhe comigo! Eu realmente quero fazer dessa newsletter um espaço para ajudar todos vocês o máximo possível.

Além disso, fiz uma live no Instagram falando sobre outros conselhos desse livro que podem te ajudar bastante.

Esse é o link dela: https://www.instagram.com/beyondwithjohn/reel/C9tIYZyu2Pz/

Espero sua resposta!

Te vejo sábado que vem.

Quem é Jonatha Koeller?

Sou um poliglota autodidata fluente em 6 idiomas e já a caminho dos próximos. Há 9 anos ajudo pessoas a desbloquear sua capacidade natural de aprender línguas e alcançar a fluência no idioma desejado em questão de meses.

Já trabalhei como mentor de idiomas em empresas como Sony Music, Vale, Globo, Accenture, Scrumlaunch, ajudando desde funcionários da base até CEOs.

Não sei o que você vai achar mais surpreendente: eu ter feito isso tudo, ou ser careca aos 26. De qualquer forma, você pode ser a próxima pessoa que vou ajudar a se tornar fluente, desbloqueando sua capacidade natural de aprender línguas.

Conheça minha mentoria de idiomas.

Tenha aulas particulares com um professor nativo toda semana e esteja falando inglês em 6 meses sem precisar de livros de gramática e exercícios chatos.

Você vê o que eu sou. O que eu sou é resultado daquilo que faço repetidamente. Excelência não é um ato. .É um hábito.