Sinceramente, duvido que você saiba o que é.
Aliás, te faço o desafio agora:
Se tivesse que dar uma resposta, qual seria?
Falta de prática?
A escola não ensinou bem?
Você nunca viajou pro exterior?
Errado.
Não importa prática, bom ensino e viagens se faltar o mais importante.
O porquê.
O motivo pelo qual você realmente quer aprender esse idioma.
Palvras-chave: ‘motivo’, ‘você’ e ‘realmente’.
Digo motivo, e não razão, devido à etimologia.
‘Motivo’ vem do latim ‘motus’, particípio passado do verbo ‘movere’, literalmente significando ‘mover’.
Uma definição do século 15 detalha:
“aquilo que internamente move uma pessoa a se comportar de certa maneira, estado mental ou força que induz uma ação de vontade”.
Em tudo na vida, ter um motivo forte o suficiente é o que vai te mover ou não.
Com línguas, não adianta listar os motivos padrões.
Já sabemos que falar outra língua abre portas de emprego.
Nos permite viajar com tranquilidade e aproveitar mais.
Conhecer pessoas novas ao redor do mundo.
O problema é: se isso não te move, não faz diferença.
Aqui entra a segunda palavra-chave: você.
Por que você quer aprender outro idioma?
Essa resposta necessariamente será muito pessoal.
E isso é bom.
Aprender também é necessariamente algo muito pessoal.
Existem princípios universais, mas mil métodos diferentes.
Um deles certamente funcionará para você.
Mas sem algo que te empurre, você não terá disposição para testá-los.
É aí que vem a terceira palavra-chave: realmente.
Não basta um dia focado no estudo do outro idioma.
Tampouco uma semana.
Aprender um idioma é desafiador porque requer se acostumar a um constante desconforto.
Sim, requer.
Seu cérebro será introduzido à lógicas que não fazem sentido.
Seus ouvidos à conjuntos de sons novos e estranhos.
Seus músculos da boca à movimentos que nunca fez na vida.
No início, você não saberá como criar frases.
Não entenderá a maior parte do que ouvir.
Não irá pronunciar as palavras corretamente.
Inevitavelmente, isso gera desconforto.
Desconforto esse que continuará por um tempo.
Por isso é preciso um motivo realmente forte.
Porque sem um motivo sólido, o desconforto facilmente te derruba.
Como disse Nietszche: “Quando se possui o “por quê?” da vida, então se suporta quase todo “como?” (Crepúsculo dos Ídolos, sentença 12)
Antes de se preocupar com o “como estudar”, pense no “por quê?”.
Novamente te pergunto:
Por que você quer aprender outro idioma?
Uma vez que ache seu verdadeiro motivo, traga-o para o presente.
Não pense em como sua vida poderá mudar num futuro distante.
Pense nas mudanças que ocorrerão agora.
Em como você mudará.
Como se tornará mais confiante.
Mais inteligente.
Mais capaz.
Mais, de todas as formas.
Não deixe isso sair de sua mente.
Lembre-se: o mundo atual compete pela sua atenção sem parar.
Se você não priorizar o que quer, a vida te dará prioridades que não são suas.
Então, mantenha seus motivos em mente a todo momento.
Isso é um treino por si só.
Mas um treino que garantirá seu sucesso no que for.
Dois livros que podem te ajudar com isso:
Mas por favor, não terceirize sua responsabilidade.
Não pense “ok, então preciso ler esses dois livros e AÍ SIM vou conseguir aprender!”.
Não.
O que você precisa é se mexer.
Esses livros podem ajudar, sem dúvida.
Mas o que vai criar esse movimento são seus motivos (lembra da etimologia?).
Então sente, reflita nisso, e aja.
Vai.