21/09/24

Quer aprender mais rápido? Vá pra academia.

Não, é sério.

O mais louco é que isso já foi dito até pelos filósofos gregos.

Olha só:

“Para que um homem tenha êxito na vida, Deus lhe concedeu dois recursos: educação e atividade física. Não separadamente, um para a alma e outro para o corpo, mas para estarem juntos. Com estes dois recursos, o homem pode alcançar a perfeição.”

Sabe quem disse isso?

Platão.

Isso mostra que a atividade física sempre foi vista como essencial para alcançar o potencial máximo.

E para te explicar o quanto isso é verdade, vou compartilhar o que aprendi no livro “Corpo Ativo, Mente Desperta: A nova ciência do exercício físico e do cérebro”, de John J. Ratey.

Vamos começar olhando para a forma como Ratey descreve o exercício:

“Se o exercício viesse na forma de pílulas, ele estamparia a primeira página, aclamado como a droga do século.”

Bom, então vamos descobrir o porquê.

A razão fundamental por trás disso é que o exercício prepara o cérebro para funcionar mais rápido e de forma mais eficaz.

Como o próprio Ratey diz:

“A atividade física desencadeia mudanças biológicas que incentivam as células cerebrais a se ligarem umas às outras. Para que o cérebro aprenda, essas conexões devem ser feitas; elas refletem a capacidade fundamental do cérebro de se adaptar aos desafios. Quanto mais os neurocientistas descobrem sobre esse processo, mais claro fica que o exercício fornece um estímulo incomparável, criando um ambiente no qual o cérebro está pronto, disposto e capaz de aprender. A atividade aeróbica tem um efeito dramático na adaptação, regulando sistemas que podem estar fora de equilíbrio e otimizando aqueles que não estão – é uma ferramenta indispensável para quem quer atingir todo o seu potencial.”

Veja as palavras usadas para descrever o impacto positivo que o exercício tem no cérebro:

Incomparável’ e ‘Indispensável’.

Ratey vai além e diz:

“Além de preparar nosso estado mental, o exercício influencia diretamente a aprendizagem, a nível celular, melhorando o potencial do cérebro para registrar e processar novas informações.”

Agora, você pode estar se perguntando:

“Ok, parece legal e tal, mas… Como que é isso?”

Bom, tudo se resume a 4 letras.

BDNF.

Essas letras querem dizer “Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro”.

Resumindo, é uma proteína responsável pelo crescimento e manutenção dos neurônios no cérebro.

Mas tem um detalhe.

O papel dele também é aumentar a neuroplasticidade e a neurogênese.

Neuroplasticidade sendo a capacidade do cérebro de se reorganizar para aprender novas informações e desenvolver novas competências.

E neurogênese sendo o processo pelo qual novos neurônios são formados no cérebro.

Só para você entender como tudo isso é relevante para o aprendizado de idiomas, veja esse exemplo dado no livro:

“Digamos que você está aprendendo uma palavra em francês. A primeira vez que você a ouve, as células nervosas recrutadas para um novo circuito disparam um sinal de glutamato entre si. Se você nunca praticar a palavra novamente, a atração entre as sinapses envolvidas naturalmente diminui, enfraquecendo o sinal. Você esquece. […] Um neurônio é como uma árvore que, em vez de folhas, tem sinapses ao longo de seus ramos dendríticos; eventualmente, novos ramos brotam, proporcionando mais sinapses para solidificar ainda mais as conexões. Essas mudanças são uma forma de adaptação celular chamada plasticidade sináptica, onde o BDNF assume o protagonismo.”

Em português claro, quando você tenta solidificar qualquer nova informação no cérebro, o BDNF garante que isso seja feito mais rapidamente e reduz suas chances de esquecê-la.

Como Ratey disse:

(BDNF) é o fertilizante que incentiva os neurônios a se conectarem uns aos outros e crescerem, se tornando vital para a neuroplasticidade e a neurogênese.

Entendendo isso, uma coisa fica clara:

Se você quer aprender qualquer coisa mais rápido, ter mais BDNF presente vai fazer com que isso aconteça.

Agora a pergunta é:

O que podemos fazer para aumentar o BDNF?

A resposta: exercícios.

“Um estudo de 2013 no jornal de ciência e medicina do esporte mostrou que apenas 20 a 40 minutos de exercício aeróbico aumentaram o BDNF no sangue em 32%.

Combinando isso com o estudo, adivinha o que acontece?

“Em um estudo de 2007 com humanos, pesquisadores alemães descobriram que as pessoas aprendem palavras 20% mais rápido após o exercício do que antes do exercício, e que a taxa de aprendizado estava diretamente correlacionada com os níveis de BDNF. Além disso, pessoas com uma variação genética que as priva de BDNF são mais propensas a ter dificuldades de aprendizado.”

Você tem ideia do quão poderoso é isso?

Isso genuinamente significa que você tem um “cheat” para acelerar o aprendizado!

E o melhor de tudo, é completamente grátis!!!

Falo isso porque ‘se exercitar’ aqui não significa necessariamente ir à academia, fazer crossfit ou algo do tipo.

Significa movimentar seu corpo por um período longo o suficiente e sem estresse.

Isso pode significar caminhar, correr, dançar, malhar… A lista é longa.

Porém… Tem outro detalhe.

E mais uma vez, Ratey mostra isso para a gente:

“Experimentos com ratos de laboratório sugerem que exercício forçado não tem o mesmo efeito que o exercício voluntário.

É por isso que eu disse que ‘se exercitar’ pode significar várias coisas diferentes.

Porque se você fizer isso só porque eu ou Ratey falamos e você odiar a experiência, não vai funcionar da mesma forma.

A razão disso é que, apesar do cérebro ter uma incrível capacidade de se modificar, essa mudança depende inteiramente do estímulo que ele recebe.

Isso também é explicado no livro:

“Quando aprendemos algo, seja uma palavra em francês ou um passo de salsa, as células mudam para codificar essa informação; a memória se torna fisicamente parte do cérebro. Como teoria, essa ideia existe há mais de um século, mas só recentemente foi comprovada em laboratório. O que sabemos agora é que o cérebro é flexível, ou plástico, na linguagem dos neurocientistas – mais Amoeba do que porcelana. É um órgão adaptável que pode ser moldado pelo estímulo, da mesma forma que um músculo pode ser esculpido levantando pesos.

Sendo assim, tenha certeza que está escolhendo uma atividade física que tenha o menor atrito possível para você.

Se você é sedentário ou tem procrastinado começar, aqui vai uma dica prática:

Não pensa demais.

Seu estado atual vai fazer com que você crie o maior número possível de desculpas para não começar.

Levando isso em conta, use seu desejo de aprender outro idioma (ou qualquer outra coisa, na verdade) para gerar o impulso necessário para começar.

E para aproveitar isso da melhor maneira possível, aqui vai outra dica prática:

Se exponha ao idioma durante o exercício.

Podcasts, audiolivros, vídeos no YouTube, músicas + letras, há inúmeras possibilidades à sua disposição.

Só se certifique de que está equilibrado com seu nível atual no idioma e que você está usando isso para expandir seu vocabulário, não só para entender.

Então, aqui vão os principais pontos que quero que você tire disso tudo, e são principalmente três:

  1. Se você não se exercita, POR FAVOR comece o mais rápido possível. Isso vai melhorar sua saúde de várias formas e fazer com que você aprenda literalmente qualquer coisa que quiser (como outro idioma) muito mais rápido.
  2. Exercício = se movimentar por tempo suficiente e de maneira desafiadora. Escolha o que melhor se adequa a você e vá em frente. Sem freios agora.
  3. Combine isso com exposição ao idioma e é garantido que você o retenha muito melhor e progrida muito mais rápido.

Seja ativo no corpo, e o idioma será ativo na mente.

Avante e para cima, meu amigo.

Referências:

  • Livro “Corpo Ativo, Mente Desperta: A nova ciência do exercício físico e do cérebro”, de John J. Ratey (2012).
  • Link para ter acesso ao pdf do livro no site Doceru (há uma taxa de R$4): https://doceru.com/doc/1nx1e1x
  • Vídeo do YouTube do canal What I’ve Learned que explica como exercício físico ajuda na aprendizagem: https://www.youtube.com/watch?v=DsVzKCk066g
  • Um estudo de 2007 mostra que os participantes que fizeram exercícios de alta intensidade anteriormente conseguiram aprender palavras 20% mais rápido do que aqueles que permaneceram sedentários: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17185007/

Quem é Jonatha Koeller?

Sou um poliglota autodidata fluente em 6 idiomas e já a caminho dos próximos. Há 9 anos ajudo pessoas a desbloquear sua capacidade natural de aprender línguas e alcançar a fluência no idioma desejado em questão de meses.

Já trabalhei como mentor de idiomas em empresas como Sony Music, Vale, Globo, Accenture, Scrumlaunch, ajudando desde funcionários da base até CEOs.

Não sei o que você vai achar mais surpreendente: eu ter feito isso tudo, ou ser careca aos 26. De qualquer forma, você pode ser a próxima pessoa que vou ajudar a se tornar fluente, desbloqueando sua capacidade natural de aprender línguas.

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Tenha aulas particulares com um professor nativo toda semana e esteja falando inglês em 6 meses sem precisar de livros de gramática e exercícios chatos.

Você vê o que eu sou. O que eu sou é resultado daquilo que faço repetidamente. Excelência não é um ato. .É um hábito.